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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dina Nacional da Juventude

Celebrou-se ontem, em todo o Brasil o DNJ, Dia Nacional da Juventude, cuja origem coincide com o Ano da Juventude proclamado pela ONU em 1985. De fato, o jubileu da Juventude celebrado no Domingo de Ramos de 2004 provocou profunda impressão em toda a Igreja, e a iniciativa profética do Santo Padre João Paulo II reverberou na Assembleia dos Bispos em Itaci naquele ano. Assim nascia no Brasil a celebração anual de um Dia da Juventude, celebrado em todas as dioceses de nosso país.

Esse ano a celebração se reveste de excepcional importância, de fato é a preparação próxima da grande festa e encontro mundial de jovens que teremos a honra e alegria de sediar em nossa cidade, a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. O tema e o lema escolhidos: "Juventude e Vida" e " Que vida vale a pena ser vivida?", são para todos nós uma convocação a nos questionar acerca da postura que temos assumido perante as novas gerações: que temos feito para transmitir-lhes valores e ideais com os quais possam pautar suas vidas? Não podemos nos alienar diante desta responsabilidade, afinal, trata-se do mundo que teremos amanhã, da vida e felicidade de nossos filhos e netos, dos nossos jovens, que são a esperança dos nossos corações.

Por isso mesmo, temos o ensejo de nos perguntar como temos aproveitado a preparação da JMJ, que certamente será o grande evento evangelizador jamais vivido na história de nosso país. Se vai ser apenas uma festa entre tantas, ou um marco na vida da Igreja e da Juventude de nosso Brasil, vai depender em grande parte de cada um de nós. Temos oferecido nossas casas para receber os jovens peregrinos? Temos colaborado com nosso pároco nas iniciativas da Jornada? Temos cogitado de nos tornar Voluntários? Fica para todos nós a lição do Evangelho deste domingo: os próprios apóstolos não sabiam o que pedir, eram como jovens, cheios de ambição e ideais; o que definiu e mudou a atitude deles foi o fato de terem Jesus ao lado para lhes mostrar o caminho certo, a direção segura e o segredo da verdadeira realização humana. Neste DNJ, fomos chamados a fazer o mesmo com os nossos jovens.

fonte: adaptado do texto do folheto da missa

domingo, 14 de outubro de 2012

Tristeza de um coração saciado

O jovem que encontra Jesus neste domingo, um dos anônimos do Evangelho com o qual cada um de nós é chamado a se identificar, era preocupado com seu destino eterno, ansioso pelo verdadeiro sentido de sua vida, e tinha o profundo desejo de eternidade: "Que devo fazer para alcançar a vida eterna?"

Jesus não se faz de rogado, olhou o moço e sentiu profunda afeição por aquela alma sincera e sedenta de vida. Trata-se de uma das duas passagens do Evangelho em que o Senhor tem um encontro pessoal com um jovem: "Vai, vende tudo o que tens, e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!"

Eis um profundo conselho, um roteiro de vida. Vender tudo significa não colocar nossas esperanças nas coisas que passam, não fazer do transitório um substituto daquilo que é definitivo. Significa ser livre, não ser escravo dos bens e não torná-los a razão da verdadeira felicidade; significa fazer da sua vida algo grande, aberto à caridade para com o pobre, disponível ao amor pelo próximo. Não esquecendo que há uma outra vida que será eterna e que corresponderá ao modo de como vivemos neste mundo, onde estaremos com Deus, o único capaz de saciar nossa sede de felicidade, motivo pelo qual vale a pena vivermos de tal jeito neste mundo entre as coisas que passam, para que possamos abraçar as que não passam.

Hoje também o Senhor tem um encontro pessoal conosco, e assim em cada santa missa, quando ouvimos sua Palavra e partilhamos o seu Corpo e Sangue, alimento para nossa alma. O Senhor nos convida, como outrora ao jovem rico, a fazer de nossa vida algo grande, como o fez Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das Missões, cujo mês celebramos e proclamada Doutora da Igreja na JMJ de Paris. Ao iniciarmos o ANO DA FÉ, no último dia 11, somos convocados à NOVA EVANGELIZAÇÃO.

Às portas da JMJ, poderíamos traduzir o convite ao Jovem, hoje, como uma convocação a participar ativamente deste grande evento da juventude em nossa cidade. Há muitos jovens que precisam saber que ainda há motivos para se ter esperança. Lembremo-nos do segundo encontro de Jesus com um jovem: na cidade de Naim, uma mãe viúva chora a morte de seu filho único, um jovem a quem Jesus, tomando pela mão, o devolve à vida e aos braços de sua mãe. Abramos nossas casas aos peregrinos, façamo-nos voluntários. É tempo de missão!

fonte: folheto da Missa

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Oração Oficial da JMJ Rio2013

Ó Pai, enviaste o Teu Filho Eterno para salvar o mundo e escolheste homens e mulheres para que, por Ele, com Ele e n'Ele, proclamassem a Boa-Nova a todas as nações. Concede as graças necessárias para que brilhe no rosto de todos os jovens a alegria de serem, pela força do Espírito, os evangelizadores de que a Igreja precisa no Terceiro Milênio.

Ó Cristo, Redentor da humanidade, Tua imagem de braços abertos no alto do Corcovado acolhe todos os povos. Em Tua oferta pascal, nos conduziste pelo Espírito Santo ao encontro filial com o Pai. Os jovens, que se alimentam da Eucaristia, Te ouvem na Palavra e Te encontram no irmão, necessitam de Tua infinita misericórdia para percorrer os caminhos do mundo como discípulos-missionários da nova evangelização.

Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho, com o esplendor da Tua Verdade e com o fogo do Teu Amor, envia Tua Luz sobre todos os jovens para que, impulsionados pela Jornada Mundial da Juventude, levem aos quatro cantos do mundo a fé, a esperança e a caridade, tornando-se grandes construtores da cultura da vida e da paz e os protagonistas de um mundo novo.

Amém!

domingo, 23 de setembro de 2012

Na Jornada, o convite à santidade

No Evangelho deste domingo, Jesus revela aos apóstolos a humilhação da cruz que o espera: sua entrega total por amor aos homens, enquanto seus discípulos pelo caminho só pensam em grandeza e alimentam desejos de poder.

Jesus não fica indignado com eles; ao contrário, os corrige com paciência, mansidão e simplicidade: "Sabeis o que pedis?" E lhes ensinou o caminho da grandeza: "O Filho do homem veio para servir e não para ser servido. Quem quiser ser grande, quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos." Mas por que pode ser tão perigoso este desejo inato que acompanha o ser humano ao longo de sua história? Em primeiro lugar, é inegável que daí brotam as invejas, rivalidades e os golpes baixos. A fim de alcançar os objetivos cede-se à adulação dos poderosos, apóia-se quem está por cima e, quando se chega ao topo, corre-se o perigo de espezinhar o próximo, de ser injusto, de se achar acima dos outros. Mas então, seria errado querer ser melhor? Seria, então, o Cristianismo uma apologia à mediocridade? Claro que não! O desejo de ser melhor sempre foi o combustível da perfeição e possibilitou, na história da humanidade, saltos qualitativos na ciência, na medicina, na economia, nas artes, nos esportes e em todas as áreas. Ele está presente mesmo na vida espiritual: os santos, buscaram ser melhores. O Senhor não condena querer ser melhor. De fato, ele indica a quem quiser ser o maior dentre todos, o caminho para sê-lo: ser o servo de todos, fugir do orgulho, da prepotência, de se achar acima de tudo e de todos, até da própria Lei.

Em 1997, celebrou-se a Jornada Mundial da Juventude em Paris, na França. Naquela edição começaram a ser celebradas as chamadas Pré-Jornadas, ou seja, uma semana preparatória numa cidade do país em que ocorre a Jornada, em que os jovens participam de uma experiência missionária. Marcante foi a missa de abertura presidida pelo então Arcebispo, Cardeal Lustiger, de origem judaica. Ele lembrava que todos os jovens são ambiciosos. Querem transformar o mundo, tornarem-se importantes e famosos, querem ser os primeiros. Por isso, dizia-lhes: Eu vos convido a serem muito ambiciosos. E apontando para a imagem de Santa Teresinha, patrona daquela Jornada, o Cardeal lhes dizia: " Como Santa Teresinha, que queria ser como uma criança nos braços do Pai, tende em vossos corações a maior de todas as ambições, a ambição do Amor."

domingo, 26 de agosto de 2012

Jornada e Catequese Eucarística

Durante a consagração, um menino não parava de chorar, de tal sorte que seu pai teve que sair com ele da Igreja para saber o que acontecia. "Mas papai, o senhor não ouviu o que ele disse?" "O que foi, meu filho?" "Ele está morrendo!" "Quem?" "Jesus." "Como assim?" "Ele disse: Isso é meu Corpo, é meu sangue derramado por vocês..." O problema é que nos acostumamos! Acostumamos com a beleza do mar, com o azul do céu, com o sorriso inocente de uma criança, com o carinho de nossas mães, com a familia reunida ao redor da mesa. Acostumamo-nos com a Palavra de Deus. Quantas vezes enquanto ela é proclamada na missa, estamos com a mente longe. Cantamos sem perceber o que dizemos. Participamos da missa com o corpo presente enquanto nosso coração está longe, muitas vezes longe de Deus. Recebemos a Eucaristia mecanicamente. Perdemos a capacidade de nos maravilhar, reduzindo à rotina o que deveria ser razão de nossa alegria. E aí vem Jesus, na grande catequese eucarística, nos dizer: "O pão que vos darei é a minha carne para a vida do mundo" (Jo 6,51). Ao se fazer um de nós, o Verbo Eterno, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assumindo nossa natureza humana, se fez homem. Jesus, rosto divino do homem e rosto humano de Deus, como dizia o Beato João Paulo II,quis permanecer entre nós após sua ascensão, na imagem mais comum do ser humano. Ao redor de uma mesa partilhamos já na terra o Pão do Céu. Uma imagem concreta em que Deus revela seu desejo de salvar o homem todo, corpo e alma que formam a unidade. É significativo que, em nossa língua, as palavras "salvação" e "saúde" tenham a mesma origem latina: salus.

Em Denver, Colorado, nos Estados Unidos, celebrou-se a Jornada Mundial da Juventude em 1993, cujo tema proposto pelo Santo Padre foi: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente." O texto do hino cantado pela multidão de jovens dizia exatamente isso: Nós somos um corpo, o Corpo de Cristo, nós não estamos sós. Ele veio para que tenhamos vida... Quando você come meu Corpo e bebe meu Sangue eu viverei em você e você viverá em meu amor. Agora, diante daquela natureza imponente, não era mais possível àqueles jovens deixar de contemplar, na exuberância da natureza, a Mão de Deus. Não lhes era mais possível deixar de ver na simplicidade aparente do Pão Eucarístico o próprio Deus, que se fez alimento dos que são neste mundo peregrinos rumo ao céu.

Que neste domingo, dedicado aos nosso queridos catequistas, peçamos ao Senhor por todos eles que, com seu testemunho e seu ministério, nos ajudam já na terra a experimentar as coisas do céu: Ó Senhor, a quem iríamos nós? Só tu tens palavras de vida eterna.

domingo, 19 de agosto de 2012

Na Jornada com Maria

A liturgia de hoje começa no céu: um grande sinal apareceu no céu, uma mulher, vestida de sol, tendo a lua sob os pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Na figura desta mulher, perseguida pelo dragão ao longo da história, vemos a imagem da Igreja, cujo vértice é Maria, a primeira discípula do Senhor. Nela contemplamos a vitória da humanidade sobre o mal e a morte, vencida pelo filho bendito daquela a quem Deus chama cheia de graça.
Desde a eternidade, Deus escolheu Israel dentre todos os povos da terra para ser seu povo, porque dele nasceria Maria , aquela em quem Deus fez maravilhas. Escolhendo-a, confiou-lhe a mais nobre de todas as missões: conceber no seu seio o Verbo Eterno que nela desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo e se fez homem. E porque a salvação da humanidade encontra seu início no sim de Maria, o Senhor quis que fosse ela, a Mãe, a primeira a participar da herança que nos foi reservada: a glória do céu em corpo e alma.
A liturgia de hoje nos antecipa a glória que nos espera, e nos convida a renovar nossa esperança e nossa fé na vida eterna. Contemplando em Maria o que seremos, já participamos da glória do mundo que há de vir. Estamos certos que nesta terra não somos náufragos à deriva em meio às águas do mar da vida, mas peregrinos em direção ao Porto Seguro, à gloria da qual Maria já participa em corpo e alma.
Por isso mesmo, celebramos neste domingo a vocação à vida consagrada, na pessoa dos religiosos, monges e monjas, frades e freiras que, no silêncio do claustro e na faina dos trabalhos apostólicos, testemunham em suas vidas a doação total por causa do Reino dos Céus.
Por este motivo, João Paulo II quis que os jovens, juntamente com a Cruz do Jubileu, levassem consigo ao longo das Jornadas Mundiais da Juventude, o Ícone da Virgem Maria como que a nos indicar que é ela quem nos ensina a carregar a Cruz de cada dia.
Desde setembro do ano passado, a Cruz do Jubileu e o Ícone de Nossa Senhora estão sendo levados pelos jovens a todo o território do Brasil e países do Cone Sul. É a grande preparação para a Jornada chamada "Bote Fé". Que Maria nos ajude a viver este mundo na dimensão da fé e um dia partilharmos com ela da glória do Céu.

domingo, 29 de julho de 2012

Jornada e Eucarístia

A liturgia deste domingo interrompe o Evangelho de São Marcos e nos introduz no capítulo sexto de São João, o longo discurso do pão da vida, proferido na sinagoga de Carfanaum, que se inicia com o milagre da multiplicação dos pães...

No texto original, em grego, São João usa uma expressão presente repetidas vezes em seu Evangelho para indicar os milagres de Jesus: "semeion", o que significa sinal. O milagre de fato, ao contrário de nosssa mentalidade, não é uma exibição espalhafatosa do poder de Deus, com o objetivo de nos impressionar, pobres mortais; nem uma "carteirada" que Jesus utilizava para mostrar quem era. O milagre é um sinal de Deus que tem como objetivo maior suscitar a fé no coração do homem. Ao longo do Quarto Evangelho, o Apóstolo vai narrando sucessivos sinais que se iniciam com as Bodas de Caná e que culminam com a ressurreição de Lázaro. São João, que não narra a última Ceia, reserva todo este capítulo que vamos ouvir ao longo de cinco domingos, ao tema da Eucarístia. Em primeiro lugar, Jesus sacia a fome física, mostrando-nos que é dever do cristão colaborar com seu trabalho, para uma sociedade justa onde haja condições de vida digna para todos. Ao mesmo tempo, este milagre remete para uma outra fome, fome interior numa sociedade consumista que coloca como raiz da felicidade a busca frenética de bens, elevando o supérfluo à suprema necessidade, priorizando as aparências, o culto ao corpo perfeito, em detrimento dos valores humanos espirituais. A partir da fome material, Jesus indica a fome interior, cujo grande sinal é a Eucaristia.

A Eucarístia é o centro das Jornadas Mundiais da Juventude, onde milhões de jovens se reúnem vindo de todas as partes do mundo para partilhar o Pão do Céu. É evidente que não falta tudo aquilo que faz parte do universo de uma juventude sadia: o encontro entre amigos, a festa, cantos, danças, troca de vivências, amizades que se formam, a experiência da cultura de cada povo, tudo isso permeado pela celebração da fé. Na imagem desses jovens mochileiros, vemos o que dizia Pascal: "O Homem é o peregrino do Absoluto." E ao centro desses encontros, está sempre a Eucarístia: desde o início, com a missa de abertura; com a celebração diária unida à Catequese, a missa de chegada do Santo Padre e a grande celebração conclusiva.

domingo, 22 de julho de 2012

Jornada e Oração

No Evangelho de hoje, Jesus convida os discípulos à oração silenciosa, para que Deus fale a seus corações. Em meio ao burburinho e a sempre presente tentação do ativismo que, não raro, desemboca numa atitude vazia e por vezes contraditória, o homem de Deus encontra na oração a fonte para um apostolado fecundo.

Conta-se que, certa vez, uma jovem religiosa, diante de tantas ocupações junto aos doentes e sofredores, questionou Madre Teresa acerca das três horas diárias que as religiosas de sua comunidade passavam na capela. Após refletir em oração, ela achou por bem aumentar de 3 para 4 horas diárias, o tempo que passavam na capela, em cujo sacrário se lia uma única palavra em latim: "sitio", tenho sede!

Os grandes santos sempre encontraram na oração a fonte de sua missão. São Francisco frequentemente recolhia-se a um eremitério próximo de Assis, e no Monte Alverne, permanecia por longas temporadas no mais profundo silêncio. João Paulo II, o Papa peregrino, que em seus 26 anos de pontificado, como nenhum de seus antecessores, foi ao encontro do Povo de Deus em suas incansáveis viagens apostólicas, encontrava forças para seu ministério na profunda intimidade da oração pessoal, quase mística.

Uma das imagens que mais me impressionaram nas Jornadas foi sempre a presença dos jovens em atitude de adoração. Em Denver, era marcante o silêncio dos jovens diante do Santíssimo Sacramento com seus cantos e preces. Em Toronto, em meio a inúmeros eventos no Exibition Center, com shows de música Gospel e peças com temas religiosos, era edificante a atitude de silêncio que centenas de jovens protagonizavam. Ao longo da noite da grande Vigília, as capelas de adoração mostravam-nos o termômetro da juventude do Papa, da juventude de Cristo que, como aos Apóstolos, continuava chamando os jovens ao silêncio é à escuta interior na contemplação.


*Ativismo: Atitude moral que insiste mais nas necessidades da vida e da acção que nos princípios teóricos.

domingo, 15 de julho de 2012

Jornada e Caridade

Um dos mais belos cantos da história da Igreja pode nos servir de inspiração para o Evangelho de hoje. Ele é prescrito pela liturgia para ser executado durante a apresentação das oferendas na Quinta-Feira Santa, e isso há muitos séculos. Ubi caritas: Onde o amor e a caridade, Deus aí está. O texto belíssimo, fala da unidade e do amor mútuo que devem reinar na comunidade cristã. O testemunho deste amor é a maior prova da veracidade daquilo que cremos, e a presença de Deus em nossa vida. A fé nasce do testemunho. Para acreditar na fé de Francisco de Assis, bastava olhar para ele. O mesmo se diga de Madre Teresa de Calcutá, de Irmã Dulce dos Pobres, de Frei Damião de Bozzano, apóstolo por mais de 66 anos no Nordeste brasileiro, ou de Charles de Foucauld, frívolo parisiense convertido e tornado eremita, assassinado no deserto, convertido através das palavras de Padre Huvekin, simples sacerdote de Paris que costumava dizer que a eloquência nasce da santidade. Para os cristãos, sempre se impôs um desafio: como falar que Deus é amor quando se vive desunido, como pregar o Evangelho se há rixas, invejas, dissensões? Como acreditar numa palavra cuja vida contradiz? Como os apóstolos, todos nós cristãos, somos chamados a anunciar através da vida em comunidade, dois a dois, esta verdade que liberta e dá sentido à vida humana. No entanto, se faz necessário desvencilhar-se do pó do orgulho e de toda sorte de mau exemplo, há que converter-se diariamente. É esta a contradição entre Amazias, capelão do rei, que anuncia uma palavra comprometida com a vontade do soberano, dizendo o que lhe agrada, um homem que se vendeu, e Amós, cuja fé se manifesta na liberdade de anunciar a Palavra de Deus.

O Santo Padre Paulo VI, dizia que, mais do que mestres, os homens de hoje precisam de santos. Foi exatamente isso que atraiu e atrai milhões de jovens às Jornadas Mundiais da Juventude. Na Polônia, em meio a uma língua desconhecida para a grande maioria dos participantes, era comovente ver a alegria e o entusiasmo daqueles jovens, muitos vindos pela primeira vez, com a abertura dos países do Leste Europeu. Não havia mais fronteiras para aqueles jovens, para quem a cortina de ferro nunca seria mais forte que a corrente do amor e da santidade. Mais tarde, no ocaso de sua vida, João Paulo II transmitirá sua derradeira mensagem da janela do palácio apostólico. Naquele domingo, sem dizer uma palavra, pôde-se ver nele o rosto da fé.

domingo, 8 de julho de 2012

Jornada e Conversão

O caminho escolhido por Deus em seu filho Jesus Cristo é certamente desconcertante aos olhos do mundo. Nasce na pobreza de Belém, vive na mais desolada região do mundo, como Tácito, o grande historiador do Império Romano, chamava a Galileia, escolhe homens simples como discípulos, e é condenado à morte e executado entre malfeitores. É bem verdade que sua fama chega à sua cidade natal, Nazaré, justamente pelos milagres e prodígios que realiza na vizinha Carfanaum. De fato, eles se perguntam: De onde vem esse poder? Por isso, entre um misto de expectativa e desdenho, quase que exigem que Ele realize na terra natal os milagres que fizera na, quem sabe rival, cidade vizinha. No entanto, uma coisa é falar de Deus; outra é experimentar um verdadeiro encontro pessoal com Ele. Uma coisa é falar de fé, outra bem diferente é crer. É fácil dizer-se cristão, outra é sê-lo de fato. A reação seria a pior possível. Eles simplesmente não conseguem tolerar e aceitar que um deles, um simples carpinteiro da cidade, seja revestido da presença de Deus. Por isso, rejeitaram Jesus. Tinham o coração fechado. E, cegos de inveja, não experimentaram em Jesus o Deus que, mais do que no poder, se revela na humildade e no amor. Diante da repulsa, Jesus não reage com a força ou o castigo. Ameaçado pelos conterrâneos, que procuram matá-lo, Ele segue seu caminho. É o mistério da liberdade. Deus não arromba a porta, mas bate e espera que a abram.

Durante a celebração da Vigília da Jornada Mundial da Juventude em 1997, no Hipódromo de Longchamps, em Paris, um grupo de jovens recebia das mãos do Santo Padre os sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia. No semblante daqueles Jovens, podia-se descobrir a beleza da fé, adesão livre ao Deus que se revela na simplicidade de um coração que se lhe deixa abrir como sua morada. C onta-se que, visitando a Universidade de Paris, em meio a uma multidão de jovens, um rapaz grita ao Papa: "Santo Padre, reze por mim, eu perdi a fé!" João Paulo II se volta e, diante daquele moço, simplesmente traça-lhe na fronte o sinal da Cruz. Os presentes nunca mais esqueceriam aquela cena. Caindo de joelhos, o jovem redescobre a fé, no gesto simples e humilde da Cruz do Senhor.

domingo, 1 de julho de 2012

O Papa presente na Jornada

Dentre os inúmeros documentos que nos relatam a História da Igreja de Cristo fundada há dois mil anos, além dos livros inspirados da Sagrada Escritura, somam-se numerosos relatos do martírio dos santos, as chamadas Acta Martyrum. Neles podemos ver a numerosa multidão de homens e mulheres que amaram a Cristo mais do que a própria vida, chegando até a efusão do sangue.

Hoje celebramos o martírio daqueles que são considerados os dois maiores pilares da Igreja: São Pedro e São Paulo. Pedro era um simples pescador, acostumado à faina diária, desconhecido à história dos grandes. Deus, que faz grandes coisas com os simples humildes, escolhe a Pedro. Jesus não chama um santo; Pedro é impulsivo, entusiasma-se com facilidade, mas facilmente nega-se a si mesmo. Jesus fará dele um santo, a Pedra da sua Igreja. Já no momento em que anuncia sua negação, Jesus lhe diz: "Satanás te procurou para te joeirar como trigo, mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça... e tu, confirma teus irmãos na fé". Jesus quer a unidade na sua Igreja. Pedro, o pescador e o Papa e seus sucessores, são o sinal da unidade na Igreja.

Juntamente com Pedro, celebramos também o Apóstolo Paulo. Pedro é sinal de unidade; Paulo é o ícone da missão. Paulo também é um pecador, um intolerante que leva ao sofrimento tantos cristãos da primeira hora, como o diácono Santo Estêvão, uma de suas vítimas. No caminho de Damasco chega a hora da luz, um encontro, uma palavra, mudam a sua vida: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" Agora será perseguido, incompreendido, mas saberá dizer com a força de sua fé: "Para mim viver é Cristo e o morrer é lucro." Pedro e Paulo serão levados pela fé a Roma onde ambos encontrarão o martírio, um pela Cruz, outro ao fio da espada. Suas vidas nos fazem pensar. Em seu lugar eu teria a mesma atitude, ou renunciaria à fé?

Em nossa contagem regressiva, temos pouco mais de um ano para nos prepararmos para a JMJ 2013. Seria oportuno nos perguntar o que estamos fazendo para este grande evento evangelizador em nossa cidade. Pedro, na pessoa de seu sucessor, Bento XVI, estará conosco e com milhões de jovens do mundo inteiro, celebrando a mesma fé da Igreja fundada por Jesus sobre o fundamento dos Apóstolos. Já me inscrevi como voluntário? Já ofereci minha casa para hospedar os peregrinos? Tenho colaborado com meu pároco na organização da JMJ? Que os Apóstolos Pedro e Paulo nos estimulem a dar nossa resposta a Jesus com a mesma fé que eles deram.

*Efusão- derramamento

*Faina-trabalho da tripulação de um navio

*Joeirar-separar o trigo do joio (bem e mal)

domingo, 24 de junho de 2012

Acolhendo a Jornada

Deus faz graças, é este o significado do nome do grande santo cujo dia festajamos e que a liturgia nos faz celebrar mesmo ocorrendo no domingo, Dia do Senhor. Ao contrário dos santos, cuja festa ocorre no dia de sua morte (o dies natalis, dia do nascimento para o céu, como chamavam os antigos cristãos), São João Batista, cujo martírio também é celebrado a 29 de agosto, tem sua maior festa no dia do nascimento. A seis meses do Natal do Senhor, a Igreja nos convida a recordar aquele que anuncia o Sol nascente que nos vem visitar, e que proclamou em alto e bom som, em relação a Jesus: é preciso que Ele cresça e eu diminua.

Em sua providencia, Deus prepara o caminho real do Salvador da humanidade. Para vir até nós, Jesus, nascido de uma Virgem, quis precisar do homem, que é o maior entre os nascidos de mulher, cujo nome é sinal da benevolência de Deus, e que nos ensina que para receber o Deus Conosco necessitamos abrir-lhe o coração.

Como um exímio agricultor, o Pai do céu prepara a terra na qual será lançada a semente da vida, ensinando-nos assim, a também vivermos na vigilância, a preparar nossos corações, para que se cumpra em nós a obra do Deus vivo. De fato, Jesus era mais importante que João, mas sem a sua contribuição sua vinda à terra teria que seguir por outros caminhos. Com isso, João nos ensina a importância da vida de cada um de nós, a cumprir bem nossa missão neste mundo. Estamos há pouco mais de um ano para celebrarmos a Jornada Mundial da Juventude em nossa cidade, em nosso país. Certamente será um dos maiores momentos de evangelização que já tivemos na história do Brasil. Porém, sem a nossa contribuição a JMJ não será possível. Como João Batista, somos convidados a preparar a estrada real através da qual Jesus, presente nos milhares de jovens, virá até nós. Somos chamados a acolher os peregrinos, oferecer-nos como o Batista, nossa contribuição é imprescindível. Que este grande santo nos ajude a assumir esta missão.

São João

 
Com muita alegria, a Igreja, solenemente, celebra o nascimento de São João Batista. Santo que, juntamente com a Santíssima Virgem Maria, é o único a ter o aniversário natalício recordado pela liturgia.

São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, seu primo, e foi um anjo quem revelou o seu nome ao seu pai, Zacarias, que há muitos anos rezava com sua esposa para terem um filho.

Estu
diosos mostram que possivelmente depois de idade adequada, João teria participado da vida monástica de uma comunidade rigorista, na qual, à beira do Rio Jordão ou Mar Morto, vivia em profunda penitência e oração. Pode-se chegar a essa conclusão a partir do texto de Mateus: "João usava um traje de pêlo de camelo, com um cinto de couro à volta dos rins; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre".

O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor com pregações conclamando os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência (por isso “Batista”). Como nos ensinam as Sagradas Escirturas: "Eu vos batizo na água, em vista da conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu: eu não sou digno de tirar-lhe as sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo" (Mateus 3,11).

Os Evangelhos nos revelam a inauguração da missão salvífica de Jesus a partir do batismo recebido pelas mãos do precursor João e da manifestação da Trindade Santa.

São João, ao reconhecer e apresentar Jesus como o Cristo, continuou sua missão em sentido descendente, a fim de que somente o Messias aparecesse. Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes, acabando decapitado devido ao ódio de Herodíades, que fora esposa do irmão deste [Herodes], com a qual este vivia pecaminosamente.

O grande santo morreu na santidade e reconhecido pelo próprio Cristo: "Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João , o Batista" (Mateus 11,11).


São João Batista, rogai por nós!
 
fonte:http://www.facebook.com/#!/jornadamundialdajuventude

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Jornadas, testemunho de fé

Quem de nós já não se deparou com rebeldes sem causa, que nos tomam de assalto, questionando e criticando a nossa fé, nossa igreja, cheios de perguntas mas, que, no fundo, não querem ouvir nenhuma resposta? Também Jesus, com profundo desgosto, conheceu esta realidade. Tomados pelo preconceito, diziam que Ele estava fora de si, acusando-o de louco, e por mais que suas obras falassem por si mesmas, não queriam ver. Chegaram a atribuir os milagres que realizava, pelo poder do Espírito Santo, a belzebu. Estavam fechados pelo egoísmo, pelo ódio. Essa rejeição levou Jesus a indicar, com o profundo desgosto, o pecado contra o Espírito Santo, que é a atitude de quem rejeita o perdão, de quem se nega a arrepender-se, que rechaça a mudança de vida, que se fecha à conversão. É um não a Deus, pronunciado lúcida e obstinadamente; não uma ação pecaminosa isolada, mas um permanente estado de rebelião, cegueira voluntária, de quem refuta a salvação. "Deus que te criou sem ti, não pode te salvar sem ti" dizia Santo Agostinho.

Em nossos dias, a mesma realidade. Quantos fatos evidenciam a verdade da fé cristã: em Lourdes, e em tantos santuários, quantas curas! Na vida dos santos, como Padre Pio, São João Maria Vianney fatos incontestáveis ocorridos ainda enquanto viviam e, em cada santo canonizado ou beatificado, quantos milagres! São realidades incontestáveis inclusive pela ciência. Mesmo assim, existem muitos que, sem nada ter examinado, dizem que é mentira, que não acreditam, que se trata de histerismo ou alucinação coletiva.

Também as Jornadas da Juventude encontraram críticos ferrenhos. Já em Buenos Aires, em 1987, encontraram resistência governamental. Em Paris, em 1997, os críticos de plantão pressagiavam que seria um fracasso, que não passariam de 30 mil os participantes. Logo na missa de abertura havia 300.000 jovens, e o número não parou de crescer, chegando a mais de 1 milhão de jovens, obrigando os mesmos veículos de comunicação a reconhecer, estupefatos, o enorme sucesso. Era comovente ouvir os jovens, em coro, dizer ao ancião e alquebrado João Paulo II: Santo Padre, você é nossa juventude!

domingo, 3 de junho de 2012

Jovens de todo o mundo, um só coração

Deus é um mistério e permanecerá sempre um mistério para nós. Um mistério não é um muro, mas um horizonte, dizia Saint Éxupery. De fato, um muro nos bloqueia, nos limita, impedindo-nos a passagem, a comunicação, ao passo que o horizonte nos aponta para o que está além, fazendo-nos intuir aquilo que nos supera.

Só Deus pode nos dizer quem Ele é, só Ele pode se revelar. Foi isso que fez Jesus Cristo, foi essa a sua missão. De fato, é este o sentido da palavra revelação: tirar o véu, comunicar aos seres humanos a intimidade de Deus à qual jamais poderíamos conhecer se Deus mesmo não quisesse revelar. Como em Jesus há uma profunda conexão entre palavra e vida, Ele nos revelou este mistério através de suas palavras e de seus atos. O Deus que Jesus nos revela é um Deus que é Amor, um Deus que é Trindade. Ele que havia prometido: "Não vos deixarei órfãos, vou enviar-lhes o Espírito da verdade", no momento de sua Ascenção deixa-nos uma ordem: "Ide pelo mundo inteiro, pregai o Evangelho a todos povos... batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." ...Ao mesmo tempo, com sua entrega total, manifesta-nos em sua encarnação, morte e ressureição, um amor que supera toda realidade humana ,um amor mais forte do que a morte.

Madre Teresa de Calcutá contava que, certa vez, um muçulmano observava com Padre Gabric uma irmã de sua ordem que com tanto amor fazia curativos em um leproso. A irmã nada falava, mas manifestava profunda caridade com seus gestos. Então o muçulmano se voltou para o padre e lhe disse: Em toda a minha vida acreditava que Jesus fosse apenas um profeta, mas hoje olhando o amor que colocou nesta irmã, entendi que Ele é Deus.

Hoje, o santo Padre encerra o VII Encontro Mundial das Famílias com o Papa, que se celebra na cidade de Milão, Itália. Espontaneamente, vem á nossa mente o inesquecível III Encontro, realizado em 1997, no Rio de Janeiro, dez anos depois da primeira Jornada Mundial da Juventude realizada fora de Roma, em Buenos Aires, onde participaram mais de 1 milhão de jovens, número que superou todas as expectativas. Rezemos pelas famílias, rezemos pelos nossos jovens cuja voz se levantava no continente latino americano: Um novo sol se levanta sobre a nova civilização que nascerá, uma corrente mais forte que a guerra, que a morte: nós sabemos, o caminho é o Amor!

domingo, 27 de maio de 2012

Jornadas, experiência de Pentecostes

A marca registrada das Jornadas Mundiais da Juventude é a experiência da ação do Espírito Santo, cuja festa hoje celebramos. No relato de Lucas, vemos como uma profusão de povos, etnias e línguas diversas se uniram naquela manhã ao redor dos Apóstolos que, sob a efusão do Espírito, escancararam as portas do Cenáculo. Antes estavam trancados temendo perseguições; e agora, destemidos, proclamavam Jesus como o Salvador e Senhor.

Ao longo destes anos e participando de tantas Jornadas, sempre me surpreendo com a diversidade de costumes e culturas, sem falar no colorido das bandeiras de países e cidades do mundo que se congregam e encontram para celebrar a mesma fé comum.

Imagens como as que presenciei nas ruas de Toronto, quando em meio a uma multidão de rapazes e moças, jovens da Líbia dançavam e cantavam suas músicas com os nossos jovens cariocas, que lhes ensinavam a alegria de nossos ritmos. Como esquecer a alegria de de jovens africanos,abraçados aos franceses, expressando em língua inglesa o sentimento que transbordava de seus corações, no Trocadero em Paris: Oh Happy Day?...

Inesquecível a experiência num trem em Colônia, na Alemanha: um vagão cheio de esquimós trocando lembraças e cantando juntos com jovens latino-americanos as mesmas músicas em línguas diferentes: inglês, espanhol e português, ao mesmo tempo!

Em Denver, Colorado, Estados Unidos, via-se um grupo de jovens pouco convencionais com cabelos coloridos de verde e vermelho e outras cores e roupas que fazia pensar que possivelmente não foram para a Jornada... Mas qual a surpresa ao ouvirmos cantarem em uníssono: John Paul Two, we love you!

As Jornadas Mundiais da Juventude são isso: uma experiência de Pentescostes. Nelas podemos ver aquilo que a expressão CATÓLICA significa há dois mil anos: Universal.

domingo, 13 de maio de 2012

Um Deus como amigo

Neste sexto domingo do Tempo Pascal, quando celebramos o Dia das mães, a liturgia nos faz ouvir mais uma parte do longo discurso de despedida quando, logo depois da Última Ceia e pouco antes da sua Paixão, Jesus entrega suas últimas palavras, seu testamento aos discípulos. No texto de hoje, o Senhor nos revela qual o sentido e conteúdo da missão que entrega a todos nós, o amor (ágape). O Pai O enviou para manifestar este amor, agora é Ele mesmo quem nos envia. E não se trata de amar de qualquer maneira, mas amar como Deus ama: "Como o Pai me amou, assim também eu vos amei: amai-vos uns aos outros como eu vos amei."

Nesse amor Jesus nos ensina a olhar os outros com os seus próprios olhos, sem acepção de pessoas, raças, classes ou línguas, como se pode perceber no episódio conhecido como a Conversão de Cornélio, o centurião pagão que pede o batismo a Pedro. Esse amor, cujo fruto é a mais sublime das amizades, ser amigo de Jesus. Esse amor, cujo paralelo mais próximo certamente encontramos no amor de Mãe, cujo dia celebramos.

Todos nós sabemos como os jovens são sensíveis às amizades e como precisam delas para se afirmarem como pessoa. Quando o Santo Padre João Paulo II anunciou em dezembro de 1985, Ano Internacional da Juventude, a criação das Jornadas Mundiais da Juventude, convocando-os para a primeira delas no Domingo de Ramos de 1986, tocava-lhes no fundo do coração: eles haviam descoberto no Papa alguém que os compreendia e que tinha coragem de lhes mostrar onde precisavam melhorar, como um catequista, um verdadeiro e sincero amigo.

No próximo sábado, às 8:00h da manhã, em todas as regiões episcopais de nossa Arquidiocese realizaremos o Simuladão da Catequese. Como é costume nas Jornadas (JMJ), nos reuniremos com nossos jovens. Será uma experiência marcante e um teste para as grandes emoções que viveremos durante a JMJ 2013. Não deixe de participar, procure saber em qual local de sua forania acontecerá o Simuladão.

domingo, 6 de maio de 2012

Deus que ama as imagens

Sabe-se que uma imagem vale mais que mil palavras. Já diziam os latinos: verba volant, sed exempla manent (as palavras passam, mas os exemplos permanecem). Não é à toa que a igreja nos propõe a imagem dos santos: são seus rostos que falam; suas vidas nos ensinam, mais que mil discursos, o que é ser cristão de verdade. Não é mera casualidade que haja tanta confusão, tanta celeuma em relação ao culto das imagens desses heróis na fé. Seu testemunho incomoda o inimigo de Deus. Desde o início do Cristianismo, a vida heróica desses nossos antepassados na fé e seu testemunho firme até a efusão do sangue no martírio, foram sementes de novos cristãos: quanto mais eles eram perseguidos e levados à morte, mais pessoas se convertiam a Cristo, as atas dos mártires dão testemunho disso.

No evangelho de hoje, Jesus serve-se de uma bela imagem. Ele que, com sua encarnação, assumindo a condição humana, fazendo-se um de nós, tornou-se na palavra de São Paulo, a imagem visível do Deus invisível, usa a imagem da videira e dos ramos para visualizar a relação que existe entre Ele, Cristo, e seus seguidores, os cristãos. Na alegoria da videira encontramos a bela imagem da Igreja fundada por Jesus há dois mil anos: é d'Ele que recebemos a seiva vital, sem Ele nada podemos fazer. Há que permanecer n'Ele. Este verbo, no original grego, em São João indica a resposta do homem à iniciativa de Deus.

As Jornadas Mundiais da Juventude são uma imagem comovente da fé. O santo Padre não se esqueceria jamais daquelas imagens: a multidão de jovens, caminhando pelas ruas de Roma, levando a Cruz que ele lhes confiara; as luzes das velas que iluminavam não somente o rosto, mas faziam resplandecer a alma daquela nova geração sedenta de sentido da vida. O pedido do Papa não ficaria sem resposta: quando a Onu proclama a Ano da Juventude, ele os convoca a Roma; desta vez reservando-lhes uma surpresa. Um grande presente: a Jornada Mundial da Juventude!

domingo, 29 de abril de 2012

Jovens encontram o Bom Pastor

O quarto domingo da Páscoa é tradicionalmente conhecido como o Domingo do Bom Pastor, em virtude do Evangelho proclamado neste dia nos três ciclos anuais da liturgia, tirados do capítulo 10 de São João. Por este motivo, celebra-se hoje o Dia Mundial de Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas. A imagem do pastor, tão distante da nossa socidade urbana, é símbolo do infinito amor de Deus pela humanidade, manifestado em Cristo Jesus.

O pastor arrisca a própria vida pelas ovelhas. O mercenário não se preocupa senão com a própria vida, seu sucesso, sua carreira. Se hoje Jesus propusesse de novo a mesma parábola, nos mostraria que o perigo ao rebanho viria não somente dos lobos mas dos falsos pastores, cuja preocupação seria o carreirismo, a posição, as honras, o prestígio e o dinheiro.

Os jovens provenientes de todas as partes do mundo que pediam ao Santo Padre, naquele inesquecível Domingo de Ramos de 1984, faltando uma semana para o encerramento do Ano Santo Extraordinário da Redenção, que a experiência de se encontrarem continuasse no futuro, eram filhos de uma geração marcada pela chamada revolução dos costumes de 1968. Seus pais, influenciados pelo "é proibido proibir" de movimentos que pregavam o chamado amor livre e a contestação a toda e qualquer instituição, de certo modo tentavam inventar outro estilo de relação familiar, privando-os de um direito inalienável: era de fato, uma geração sem pais. Na pessoa do Papa, de João Paulo II, descobriram a imagem do Bom Pastor, do Pai Comum. As Jornadas Mundiais da Juventude são uma resposta a uma juventude carente de paternidade, necessitada de verdadeiros pastores, sedenta de Deus.